Ultimamente tenho visto (lido) diversas pessoas esbravejando, militando contra mineração, crescimento industrial, etc. sempre em veículos de comunicação contemporâneos como a internet regada com sites de relacionamentos e blogs (como este em que escrevo).
O que mais me intriga nessa postura ativista não é sua legitimidade, que devo concordar que realmente é sensata e legítima em si, e sim a verborragia ativista que não reflete sobre o fato de sua intrínseca e arraigada inserção em um sistema pautado no consumo.
Portanto, antes de criticar as atividades minerarias e industriais temos de fazer nossa mea culpa, pois divulgamos nossos protestos de lap tops de última geração, sacamos nossos celulares ultramodernos e marcamos encontros para protestar contra a produção do mesmo, pegamos nossos carros do ano, com ABS, airbag, som com mp3, etc. e queimando combustível fóssil vamos praticar nossas atividades de lazer, ou trabalho Quando pensamos que agimos de maneira ecologicamente correta deixando o carro em cara para usa bicicleta temos de ter em mente que ela também é fruto desse processo industrial que demanda minério, utiliza lubrificantes e produtos sintéticos derivados de petróleo.
Pensamos sermos “ecologicamente corretos” quando usamos etanol, mas, o que parece ser uma atitude ecológica nada mais é que uma alternativa de perpetuação do próprio sistema. Espero não estar vivo para presenciar um fenômeno que só de pensar me dá arrepios que é o fato de com o advento do uso de etanol em lugar do combustível fóssil (petróleo) pararemos de plantar alimento para plantar combustível.
Pessoalmente acredito que “desenvolvimento sustentável” é um paliativo, uma estratégia (pensada por intelectuais ou não) para perpetuar o modo de vida que estamos inseridos.
Portanto, o que quero aqui é lançar uma reflexão mais crítica a respeito de posturas que são extremamente legítimas, mas, que estão muito aquém de um efetivo resultado. Precisamos pensar é em uma mudança de paradigma, onde consigamos pensar em alternativas e este sistema pautado no consumo e na acumulação de capital.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Discurso Burocrático
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Auto De Zé Limeira
Cabruêra
No sertão, sob o sol da Borborema.
Numa terra regada a pedra e osso
O lagarto equilibra seu pescoço
Com a cauda apontando a parte extrema
O seu corpo parece um teorema
De incógnitas perdidas na paisagem
Há um corte suspenso nessa imagem
Vertical, fura o Jabre as nuvens raras.
Batizado nas águas do Espinharas
Zé Limeira parece uma visagem.
Apesar de sertão o clima é frio
Frio e seco como soi acontecer
Nessa terra em que a vida quer nascer
E só nasce vencendo um desafio:
O verter-se em esforço no vazio
Que abomina, assustando a floração.
Dessa forma estrangula o seu pulmão
Com as garras astutas de um tridente
(a esmola na cuia do indigente)
Zé Limeira transforma pedra em pão
Para o frio noturno e o sol diário
Indumentos que imitam passarinho
Variando da mescla para o linho
E alpercatas cruzando o pó calcáreo
(Uma orquídea vestida em um sudário;
uma túnica sobre os mandacarus)
Macambira cruzada com umbus,
Resistentes espécies da secura
Água/sal versus rocha/rapadura
Zé Limeira vencendo os urubus.
Se o passado contasse verdadeiro
O olhar de quem olha saberia
Que há bilhões de instantes não havia
Um lugar sem brasão e sem letreiro
Sobre o qual há carcaças no terreiro
E Reis Magos são quadro empoeirado
Mas um Astro Cadente iluminado
Se aloja tal/qual um caranguejo
A suar no mormaço sertanejo
Zé Limeira é o Verbo Anunciado
Pare o tempo, o vento, o mundo inteiro,
As espécies, os bichos, as vontades.
Pare o mal e parem as maldades
Pare o bem, o bom. Pare o luzeiro
Que alumia e que queima o juazeiro,
Pare a força dessas contradições,
Pare a regra geral das ilusões
E a caldeira que energiza tudo
Pois do alto do céu vem um entrudo
Zé Limeira puxando seus cordões!
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