segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sitios arqueológicos e sua importância

A escalada é um esporte praticado ao ar livre ao que chamamos de outdoor, há claro a escalada indoor, mas, esta é posterior e uma derivação da escalada assim como escalada esportiva, alpinismo, etc.
Quando saímos para escalar entramos em contato com locais onde há afloramentos rochosos de diversas naturezas. Estes locais costumam ter a peculiaridade de formar abrigos protegidos das chuvas, que inclusive, muitas vezes formam paredes negativas muito propícia a prática da escalada esportiva.
Mas, estes locais também, muitas vezes trazem consigo vestígios de ocupação que chamamos de pré-histórica. Antes do território brasileiro ser invadido pelos portugueses já haviam habitantes aqui, os quais foram denominados de índios. Estes índios viviam organizados socialmente de acordo com um conjunto de normas que muito diferentes das quais viviam os portugueses e que vivemos nós agora, por isso foram considerados “selvagens” e em muitas vezes nem eram considerados seres humanos.

De maneira geral o que se considera “história” é todo registro escrito a respeito de uma sociedade, desde os fenícios, passado pelos egípcios e pelos romanos até os dias de hoje. O que temos são registros escritos do modo de vida destas sociedades. Portanto, algumas sociedades antigas não faziam o uso da escrita como a nossa cultura o faz, havia a cultura oral passada de indivíduo a indivíduo e certamente alguns conjuntos de símbolos que faziam parte do repertório cultural, sendo assim, todas as culturas antigas cuja organização e modo de vida que não têm nenhum registro escrito, é considerada como pré-histórica mas sem nenhuma conotação pejorativa para o termo. No Brasil os primeiros registros escritos foram produzidos pelos portugueses a partir do momento da invasão, tenha-se como exemplo a carta de Pero Vaz de Caminha. Logo, tudo que é anterior a 1500 é considerado pré-história no Brasil pois, as sociedades que aqui viviam não faziam uso da escrita, o que não quer dizer que eram sociedades atrasadas.

Como o Brasil era intensamente povoado pelas sociedades indígenas, freqüentemente nos deparamos com vestígios destas ocupações, no nosso caso nos é comum acharmos estes vestígios perto de afloramentos rochosos. Estes são chamados de vestígios arqueológicos.

Segundo PROUS, 1992; “Consideramos vestígios arqueológicos todos os indícios da presença ou atividade humana em determinado local”. O local onde encontramos estes vestígios são considerados sítios arqueológicos e eles não se resumem em inscrições nas pedras que são as chamadas pinturas rupestres, muito pelo contrário é muito mais comum nos depararmos com tais vestígios no chão, pois os índios faziam uso de diversos utensílios que eram feitos de madeira, pedra, palha, barro (cerâmica), etc. O que costumam-se encontrar são fragmentos destes utensílios ou refugo de sua manufatura, portanto é muito comum encontrar no chão lascas de pedra que são resíduos da confecção de instrumentos como raspadores, pontas de flechas, machados, etc. além de fragmentos de potes a vasilhas feitas de cerâmica.

Estes locais costumam ter muitos vestígios enterrados também, então o pisoteio pode alterar as condições destes vestígios e assim perdendo valiosíssimas informações sobre estas os habitantes que outrora viveram ali.

Estes sítios arqueológicos são protegidos pela lei nº 3924, de 26 de julho de 1961:

Lei nº 3924, de 26 de julho de 1961. Dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos.
O Presidente da República:
Faço saber que o congresso nacional decreta e eu sanciono e seguinte lei:

Art. 1º - Os monumentos arqueológicos ou pré-históricos de qualquer natureza existentes no território nacional e todos os elementos que neles se encontram ficam sob a guarda e proteção do Poder Público, de acordo com o que estabelece o art. 180 da Constituição Federal .
Parágrafo único – A propriedade da superfície, regida pelo direito comum, não inclui a das jazidas arqueológicas ou pré-históricas, nem a dos objetos nela incorporados na forma do art. 168 da mesma Constituição.
Art. 2º - Consideram-se monumentos arqueológicos ou pré-históricos:
a) as jazidas de qualquer natureza, origem ou finalidade, que representem testemunhos da cultura dos paleoíndios do Brasil, tais como sambaquis, montes artificiais ou tesos, poços sepulcrais, jazigos, aterrados, estearias e quaisquer outras não especificadas aqui, mas de significado idêntico, a juízo da autoridade competente;
b) os sítios nos quais encontram vestígios de ocupação pelos paleoíndios, tais como grutas e abrigos sob rocha;
c) os sítios identificados como cemitérios, sepulturas ou locais de pouso prolongado ou de aldeamento, estações e cerâmicos, nos quais se encontram vestígios humanos de interesse arqueológicos ou paleoetnográfico;
d) as inscrições rupestres ou locais com sulcos de polimento de utensílios o outros vestígios de atividade de paleoameríndios.
Art. 3º - São proibidos em todo o território nacional o aproveitamento econômico, a destruição ou mutilação, para qualquer fim, das jazidas arqueológicas ou pré-históricas conhecidas como sambaquis, casqueiros, concheiros, birgueiras e serambis, e bem assim dos sítios, inscrições e objetos enumerados nas alíneas b, c e d do artigo anterior, antes de serem devidamente pesquisados, respeitadas as concessões anteriores e não caducas.

Então, quando nos depararmos com estes tipos de vestígios, o melhor a se fazer é isolar o local, não usá-lo nem como passagem, assim os preservamos e mostramos o quão conscientes e engajados na proteção ao meio ambiente e ao patrimônio cultural a comunidade escaladora de Minas Gerais está.

sábado, 9 de maio de 2009

Desabafo II

O que está escrito abaixo não é meu, é um um autor que gosto muito. Sei que as vezes me sinto assim, por isso resolvi postar.

Desabafo

“Não sei exatamente porque mas, uma profunda melancolia está tomando conta de mim. Acredito que seja a distancia de casa, da minha mãe, não moro com ela e venjo-a pouco mas, tenho sempre em meu coração. Mesmo fazendo o que gosto, cercado de pessoas que gosto, ainda sim tenho a sensação de que está faltando algo.

Costumo estragar tudo, portanto se te magoei de alguma forma me desculpe. Para todas as vezes em que confundo algum sentimento relacionado a alguma pessoa, espero sempre ter alguma música em mente pois, somente meu coração pode dizer o que aconteceu.

Sinto-me só, sempre acho que não desperto o interesse nem o desejo de ninguém. Ou quando isso acontece é de quem eu não quero. Não sei mais o que fazer.

A única certeza que tenho é que continuarei vivendo e, quem sabe um dia possa sentir que sou realmente correspondido.

Bom, quem ler isto, por favor não se assunte, só estou pondo para fora algo que me incomoda. Por mais que as idéias pareçam desarticuladas tudo isso faz algum sentido pra mim.

Considero isto um desabafo!”

quarta-feira, 8 de abril de 2009

34 anos!


O que pensar sobre esta idade?
O que deveria fazer?
Onde deveria estar?

Passa o tempo, mas os sonhos e as questões permanecem...

Ainda bem!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Curso Básico de Montanhismo do CEM




No fim de semana dos dias 28 e 29 de março, tive a honra de ministrar o módulo de orientação com bússola e gps pelo Curso Básico de Montanhismo do CEM (Centro excursionista mineiro) do qual participaram 9 pessoas, sendo 6 alunos, um instrutor, um guia e o vice presidente do CEM. Partimos no dia 27 (sexta feira) a noite para a Lapinha da Serra onde pernoitamos no Camping das Bromélias que tem um café da manhã excelente.

No sábado após o café, tivemos uma aula teórica onde discutimos uns conceitos básicos sobre cartografia, relevo, sistemas coordenadas geográficas e UTM, bússola, azimutes e finalmente GPS. Começamos então a caminhada rumo a prainha onde montamos acampamento. Durante o percurso fizemos um exercício prático de localização, orientação e leitura e interpretação da paisagem, possibilitando assim a utilização de marcos geográficos para ajudar a orientação durante a caminhada.

Já no acampamento tivemos a oportunidade de nos deliciarmos com algumas regalias gastronômicas como Penne ao Fungi e Arroz com elementos, habilidosamente preparados por Xaxá e Omar com importantes contribuições de todos principalmente de Patrícia e Larissa sempre dando um toque bem feminino tudo ao longo do curso.

No dia seguinte levantamos acampamento por volta das 8 horas e subimos a face leste do Pico do Breu chegando em seu cume por volta das 12:50 depois seguimos sentido a Lapinha da Serra, com uma vista que não há palavras para descrever, tamanha beleza e ao mesmo tempo delicadeza nos pequenos detalhes ao longo dos Campos rupestres, campos limpos e outras feições do cerrado que carinhosamente cobrem toda a Serra do Espinhaço e me proporciona momentos em que consigo ficar em paz comigo.

Chegando a Lapinha da Serra novamente fomos recebidos por Hans, marido da Patrícia, com um delicioso pão caseiro, saciando a fome a acompanhando a altura a merecida cerveja e, no meu caso, coca-cola.

Muito Obrigado ao CEM pelo privilégio de poder ministrar o módulo de orientação e por todos os alunos ávidos por conhecimento. Estes são os sentimentos que mantém o espírito humano vivo.

Wagner Marin Gomes

segunda-feira, 23 de março de 2009

Hora do Planeta

Sábado, 28 de março, às 20h30



Mude seus hábitos por um planeta mais sustentável
O WWF-Brasil participa pela primeira vez da Hora do Planeta, um ato simbólico, que será realizado dia 28 de março, às 20h30, no qual governos, empresas e a população de todo o mundo são convidados a apagar as luzes para demonstrar sua preocupação com o aquecimento global.



O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas.

Participe! É simples. Apague as luzes da sua sala.


http://www.wwf.org.br/informacoes/horadoplaneta/

sábado, 14 de março de 2009

Sobre as Montanhas



“Se o mar oferece a meu olhar uma paisagem diluída, a montanha aparece-me como um mundo concentrado. Ela o é, no sentindo próprio, uma vez que a terra pregueada e dobrada congrega superfície maior para extensão idêntica. As promessas desse universo mais denso também demoram mais para se esgotar; o clima instável que aí reina e as diferenças decorrentes da altitude, da exposição e da natureza do solo favorecem os contrastes nítidos entre vertentes e os planos, bem como entre as estações. Eu não me sentia, como tanta gente, deprimido por uma temporada num vale estreito onde os declives, em razão de sua proximidade, assumem aspecto de muralha e só deixa a mostra um nesga de céu que o sol percorre em poucas horas; muito pelo contrário.

Parecia-me que essa paisagem de pé era viva. Em vez de se submeter passivamente a minha contemplação, como um quadro cujos pormenores é possível apreender à distancia e sem qualquer esforço pessoal, ela me convidava a uma espécie de diálogo onde deveríamos, nós dois, fornecer o melhor de nós mesmos. O esforço físico que eu despendia a percorrê-la era algo que eu cedia, e pelo qual o seu ser fazia-se-me presente.
Rebelde e provocante a um só tempo, furtando-me sempre uma metade de si mesma, mas para renovar a outra pela perspectiva complementar que acompanha sua ascensão ou a descida, a paisagem de montanha unia-se a mim numa espécie de dança que eu tinha a sensação de guiar mais livremente na medida em que melhor conseguira penetrar nas grandes verdades que a inspiravam.”

LÉVI-STRAUSS, Claude; Tristes Trópicos; tradução Rosa Freire D’Aguiar; São Paulo: Companhia das Letras, 1996; p 321 e 322